És como o Ar que RespiroQual é a força extraordinária que possuis? — pergunto muitas vezes a mim mesmo. Dois ou três princípios cristãos inabaláveis — e por trás milhares de seres que desapareceram ignorados, cumprindo a vida ignorada. Nem sequer se debateram. Entregaram-se. Confiaram. A mulher portuguesa comunica ao lar a ternura com que os pássaros aquecem o ninho. Sua vida dá luz, para alumiar os outros. Foi assim com tão pequenos meios, que me ensinaste. Com uma palavra e mais nada, com um simples olhar, com silêncio e mais nada. Uma atitude fazia-me pensar. E mal sabes tu quando Os teus dedos ágeis trabalhavam a meu lado, teciam ao mesmo tempo o pano grosso de casa e a nossa vida espiritual.
E como tu milhares de seres têem cumprido a vida em silêncio, aceitando-a sem exageros. Nas mãos das mulheres até as coisas vulgares que se fazem na aldeia, cozer o pão, lançar a teia — assumem um carácter sagrado. Elas passam desconhecidas e dispõem dum poder extraordinário. Mantêem a vida ordenada com um sorriso tímido. A mulher está mais perto que nós da natureza e de Deus.
Cada vez me aproximo mais de ti. O que há de puro em mim a ti o devo. És limpidez e ternura.
Eu exagero sempre a dor, tu nunca te queixas. Andas nas pontas dos pés. Mal respiras — e estás sempre presente. Tens uma capacidade para a dor que eu não possuo.
Tudo em ti se faz naturalmente, tão naturalmente que ninguém dá por isso. A tua bondade não é um esforço. E é-te tão fácil partilhar a desgraça e as penas dos outros dos que se aproximam de ti!... Ninguém te vê e fazes-te sentir em toda a casa. Aquece-la. Estás em toda a parte, e ao mesmo tempo a meu lado. És como o ar que respiro.
Qual é a fonte escondida da tua vida, só o sei agora. Nunca pensas em ti — pensas sempre nos outros, ocupada num dever a cumprir, não como dever, mas como instintiva compreensão da Vida.
Já uma vez te propuz matarmo-nos ambos, para penetrarmos mais depressa noutro mundo que adivinho esplêndido. Matarmo-nos não por horror à vida, mas por amor à vida. A outra vida maior. E não só por isso: para ver a tua alma na sua completa nudez.
Nas caladas noites de inverno, quando despego o olhar dos papeis, encontro sempre os teus olhos que me envolvem de ternura. Isso e quasi nada — e revolve o mundo. É saudade, e a vida que passa e a morte que se aproxima, emquanto o tronco arde no lume, o pinheiro estala ou o carvalho amorroa. De fora vem o hálito da floresta e das águas. Mais silêncio... Surpreendo-te então a repetir o meu pensamento, ou é o teu que me acode ao mesmo tempo. Não fales! Outra figura transparece atrás da tua figura. Nesse momento até o lume parece encantado e ficas tão linda que antevejo a vida misteriosa que me fascina e deslumbra. Isto só dura um segundo. Mas basta às vezes que sorrias e é a tua alma que sorri, basta às vezes que não fales e é a tua alma que me fala! Nesse momento somos um ser: eu sou tu, tu és eu; tu sorris, eu sorrio... Então cai sobre nós o silêncio — e eu descobro o que só nos é dado ver depois da morte, a amplidão das almas, seu poder magnético e num deslumbramento, ao lado da existência pueril, a imensidade do universo e o infinito que nos rodeia e de que perdemos a sensação pelo hábito. A casa, que tem raizes de granito, voga no eter arrastada num turbilhão que me mete medo... Alguém nos vai bater à porta...
Alguém se aproxima pouco a pouco num cerco que se aperta e em passos tão leves que mal se ouvem... Rodeia-nos o silêncio vivo, alma do mundo, o silêncio que é talvez o que eu mais amo na aldeia, este silêncio perfumado que envolve a nossa casa na solidão tremenda da noite: mais perto de mim arfa alguma coisa de religioso e profundo: — sinto a Vida e a Morte. Sinto-as enquanto a última brasa se apaga e as tuas mãos se agarram às minhas mãos de velho.
Raul Brandão, in "Memórias (Dezembro 1924)"BOM DIA DA LUAPAZNAMASTE
Sunday, June 2, 2013
Friday, May 24, 2013
Marguerite Yourcenar...
Gherardo Perini
«Não irei mais longe, Gherardo.
Não te acompanho mais porque o trabalho urge
e eu sou um homem velho. Sou um homem velho, Gherardo.
Às vezes, quando te entregas mais à ternura,
chegas a chamar-me teu pai. Mas eu não tenho filhos.
Nunca encontrei mulher tão bela como as minhas figuras de pedra,
mulher que ficasse horas imóvel sem falar,
como coisa necessária que não precisa de agir para ser,
e nos faz esquecer que o tempo passa porque está sempre presente.
Mulher que se deixe olhar sem sorrir nem corar
porque compreendeu que a beleza é qualquer coisa de grave.
As mulheres de pedra são mais castas que as outras,
e mais fiéis, porém, são estéreis.
Não há fenda por onde se possa introduzir nelas o prazer,
a morte, ou a semente de uma criança,
e por isso elas são menos frágeis.
Por vezes quebram-se e em cada pedaço de mármore
fica contida a sua beleza inteira, como Deus
que está em todas as coisas,
mas nada de estranho entra nelas que dilate o seu coração.
Os seres imperfeitos agitam-se e acasalam-se para se completarem,
mas as coisas só belas são solitárias como a dor humana.
BOM DIA DE VENUS
PAZ
NAMASTE
Tuesday, May 21, 2013
MILAN KUNDERA.....
Só mais tarde,quando a venda é retirada,percebo o que foi vivido e compreendo o sentido do que se passou...
Milan KunderaBOM DIA DE MARTE
PAZ
NAMASTE
Sunday, May 19, 2013
RIO NEGRO....
RIO NEGRO COM UM POUCO DE AZUL AO FUNDO CALMO E SEM PRESSA A ESPALHAR-SE ATÉ AO LIMITE DA OUTRA MARGEM E A TRANSBORDAR PARA SE UNIR AO MAR! APESAR DE ESTAR EM REPOUSO BALOIÇA UM POUCO OS CASCOS DE PEQUENAS EMBARCAÇÕES QUE GUARDAM NO SEU INTERIOR A LIBERDADE DESEJADA! AO FUNDO PARA NORTE AS LUZES DUMA PONTE TRANSFORMAM-SE EM ESTRELAS QUE PINTAM O NEGRO DA ÀGUA DESVENDANDO OS SEUS SEGREDOS! AQUI E ALI A ÀGUA FORMA PEQUENOS FOCOS DE LUZ QUE SE ESPALHAM EM LAGOS DE BRILHOS QUE ATRAEM O OLHAR! AO FUNDO HA UM CAMINHO ABERTO NUMA BRECHA QUE NOS LEVA SEM HESITAR AOS BRAÇOS ABERTOS DE CRISTO QUE É NOSSO REI E SENHOR!
ASSIM ESTAVA HOJE A MARGINAL!
BOM DIA DA LUA
PAZ
NAMASTE
ASSIM ESTAVA HOJE A MARGINAL!
BOM DIA DA LUA
PAZ
NAMASTE
Saturday, May 18, 2013
A REALIDADE.....
Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros.
Mas estes mentem, mesmo os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, fácil de receber e de atirar num universo sem peso. Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável. Os filósofos, para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exactos e claros de mais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros; dispõem de novo esta dócil matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira.
Marguerite Yourcenar, in 'Memórias de Adriano'
Marguerite Yourcenar, in 'Memórias de Adriano'
É DEMAIS.....
É DEMAIS O QUE EU SINTO!
É DEMAIS O TRANSBORDAR DE MIM!
É DEMAIS O QUE CORRE NESTE ESPAÇO CHEIO DE TI!
É DEMAIS A CORRENTE TÃO FORTE QUE CAMINHA DENTRO DE MIM E DE TI!
É DEMAIS O ABRAÇO QUE NÃO ABRE O ESPAÇO PARA QUE NADA SE PERCA!
É DEMAIS O QUE AS PALAVRAS DESPERTAM!
É DEMAIS O TURBILHÃO DA EMOÇÃO!
É DEMAIS A SAUDADE QUE CORRE SEM FIM!
É DEMAIS A HISTÓRIA QUE NÃO TEM PASSADO NEM PRESENTE PORQUE VIVERA ETERNAMENTE!
É DEMAIS A ESPERANÇA DE QUEM SEMPRE ALCANÇA!
É DEMAIS O QUE A ALMA TRANSPARECE DE TANTA BENESSE!
É DEMAIS O QUE O CORPO AQUECE MESMO NO ESPAÇO FRIO QUE PREENCHE O VAZIO!
É DEMAIS A ESPERA DO DIA EM QUE SE BEBE O SIM PARA QUE A FELICIDADE NÃO TENHA FIM!
BOM DIA DO SOL
PAZ
NAMASTE
É DEMAIS O TRANSBORDAR DE MIM!
É DEMAIS O QUE CORRE NESTE ESPAÇO CHEIO DE TI!
É DEMAIS A CORRENTE TÃO FORTE QUE CAMINHA DENTRO DE MIM E DE TI!
É DEMAIS O ABRAÇO QUE NÃO ABRE O ESPAÇO PARA QUE NADA SE PERCA!
É DEMAIS O QUE AS PALAVRAS DESPERTAM!
É DEMAIS O TURBILHÃO DA EMOÇÃO!
É DEMAIS A SAUDADE QUE CORRE SEM FIM!
É DEMAIS A HISTÓRIA QUE NÃO TEM PASSADO NEM PRESENTE PORQUE VIVERA ETERNAMENTE!
É DEMAIS A ESPERANÇA DE QUEM SEMPRE ALCANÇA!
É DEMAIS O QUE A ALMA TRANSPARECE DE TANTA BENESSE!
É DEMAIS O QUE O CORPO AQUECE MESMO NO ESPAÇO FRIO QUE PREENCHE O VAZIO!
É DEMAIS A ESPERA DO DIA EM QUE SE BEBE O SIM PARA QUE A FELICIDADE NÃO TENHA FIM!
BOM DIA DO SOL
PAZ
NAMASTE
Tuesday, May 14, 2013
HA UMA INOCÊNCIA......
HA UMA INOCÊNCIA QUE ENCONTRAMOS NALGUNS SÍTIOS!
A PUREZA DA COR, A TRANQUILIDADE, A NEBLINA QUE DESFOCA OS PONTOS MENOS IMPORTANTES DO MOMENTO. A AGUA QUE PAROU PARA NOS DAR CHÃO. AS FORMAS REDONDAS DÃO A SENSAÇÃO QUE O MUNDO É UM ABRAÇO. OS ELEMENTOS DOURADOS EXISTEM PARA DIZEREM QUE O MOMENTO É DE OURO. AS PÉTALAS DE COR ROSA QUE LEMBRAM COLOS FEMININOS. A FIGURA MASCULINA MOSTRA A ELEGÂNCIA PELO SEU PORTE E TRAGE. O SOFÁ QUE DA A SENSAÇÃO DA COMODIDADE E A IMAGINAÇÃO PARA O UTILIZAR. O CALOR DO CHA DE GENGIBRE E MEL QUE NOS ABRE PALADARES E OUTROS SENTIDOS. AS FOLHAS DE ACANTO QUE FINALIZAM AS FORMAS DA CUPULA PARECEM A UNICA ARAGEM QUE AGITA A FALTA DA BRISA. O REFLEXO DO BRANCO ILUMINA AINDA MAIS O ESPIRITO E ESSA LUZ É A UNICA AGITAÇÃO QUE SUPORTAMOS NO MOMENTO!
BOM DIA MERCURIO
PAZ
NAMASTE
A PUREZA DA COR, A TRANQUILIDADE, A NEBLINA QUE DESFOCA OS PONTOS MENOS IMPORTANTES DO MOMENTO. A AGUA QUE PAROU PARA NOS DAR CHÃO. AS FORMAS REDONDAS DÃO A SENSAÇÃO QUE O MUNDO É UM ABRAÇO. OS ELEMENTOS DOURADOS EXISTEM PARA DIZEREM QUE O MOMENTO É DE OURO. AS PÉTALAS DE COR ROSA QUE LEMBRAM COLOS FEMININOS. A FIGURA MASCULINA MOSTRA A ELEGÂNCIA PELO SEU PORTE E TRAGE. O SOFÁ QUE DA A SENSAÇÃO DA COMODIDADE E A IMAGINAÇÃO PARA O UTILIZAR. O CALOR DO CHA DE GENGIBRE E MEL QUE NOS ABRE PALADARES E OUTROS SENTIDOS. AS FOLHAS DE ACANTO QUE FINALIZAM AS FORMAS DA CUPULA PARECEM A UNICA ARAGEM QUE AGITA A FALTA DA BRISA. O REFLEXO DO BRANCO ILUMINA AINDA MAIS O ESPIRITO E ESSA LUZ É A UNICA AGITAÇÃO QUE SUPORTAMOS NO MOMENTO!
BOM DIA MERCURIO
PAZ
NAMASTE
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